Principais responsáveis pela queda nas vendas em volume do varejo

Dados da NielsenIQ mostram que, em 2025, 50% das categorias registraram retração. O cenário continuou se deteriorando em 2026, quando 70% das categorias apresentaram redução no volume vendido no primeiro trimestre

POST - QUEDAS VENDAS 1º SEM 2026

14.06.2026 – A queda nas vendas em volume tem se consolidado como uma tendência nos relatórios de desempenho do varejo nos últimos anos. Dados da NielsenIQ mostram que, em 2024, 20% das categorias registraram retração. Em 2025, esse percentual saltou para 50%. O cenário continuou se deteriorando em 2026, quando 70% das categorias apresentaram redução no volume vendido no primeiro trimestre.

Segundo a NielsenIQ, a combinação entre inflação acumulada, juros elevados e alto nível de endividamento reduziu a sensação de folga financeira das famílias brasileiras, pressionando o consumo e acelerando a queda dos volumes.

Nesse contexto, economizar deixou de ser uma reação momentânea e passou a fazer parte da estratégia permanente dos consumidores. A busca por versões mais acessíveis dos produtos básicos e por opções com atributos premium a preços mais competitivos tem ganhado força. Ao mesmo tempo, relevância, percepção de benefício e conexão com as necessidades do consumidor tornaram-se fatores cada vez mais decisivos. O desafio das marcas já não é apenas disputar espaço dentro de uma categoria, mas conquistar uma parcela maior do orçamento total das famílias.

Diante desse cenário, a NielsenIQ identificou cinco forças estruturais que ajudam a explicar a retração dos volumes de consumo.

Endividamento

O elevado nível de endividamento tem moldado um consumidor mais seletivo e estratégico em suas decisões de compra. Entre os comportamentos observados estão a fragmentação das compras ao longo do mês, com visitas mais frequentes ao ponto de venda, e um planejamento mais rigoroso antes da compra.

A contenção de gastos também se reflete nos indicadores de consumo. Em 2025, 48% das categorias perderam penetração nos lares em comparação com o ano anterior. Além disso, 60% registraram queda na frequência de compra.

Estratégias de economia

Mais cauteloso, o consumidor tem redefinido não apenas o que compra, mas também como e onde compra. A busca por promoções, embalagens menores, marcas mais acessíveis e canais com melhor relação custo-benefício passou a fazer parte da rotina de consumo de milhões de brasileiros.

Novo equilíbrio entre consumo dentro e fora do lar

A pressão sobre o orçamento tem impactado especialmente os gastos com alimentação fora de casa. Segundo a NielsenIQ, quase 40% dos lares endividados reduziram esse tipo de despesa.

Como consequência, cresce o investimento em soluções que ampliem a praticidade e o entretenimento dentro de casa. Categorias como panelas elétricas, micro-ondas, lava-louças, consoles de videogame, monitores e caixas de som estão entre as beneficiadas por esse movimento.

E-commerce

A preferência por atividades realizadas dentro do lar também impulsiona o avanço das compras online. De acordo com a NielsenIQ, 88% dos consumidores já adquiriram bens de consumo rápido pela internet, enquanto 64% afirmam ter substituído compras no varejo físico por aquisições em canais digitais.

Novos gastos e repriorização do orçamento

A reorganização das despesas familiares também ajuda a explicar a desaceleração do consumo. Segundo a NielsenIQ, a renda média mensal dos brasileiros é de R$ 3.613. Desse total, 21,8% são destinados aos bens de consumo rápido (FMCG), categoria que engloba alimentos embalados, produtos perecíveis, bebidas, doces e snacks.

Já despesas com lazer, alimentação fora do lar e delivery representam apenas 8,7% do orçamento, evidenciando um consumidor mais criterioso e atento à distribuição de seus recursos em um cenário de renda pressionada.

Fonte: SA+ > https://samais.com.br/publicacoes/esses-sao-os-principais-responsaveis-pela-queda-nas-vendas-em-volume-do-varejo

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